Existem levitas hoje em dia?





Texto extraído do blog Crente Feliz


É comum ouvirmos de alguns que louvam na igreja que possuem o ministério de levitas da casa do Senhor. Talvez essa idéia tenha nascido e se disseminado no meio cristão, porque o rei Daví que era músico e compositor atribuiu a alguns levitas a responsabilidade musical (2Cro 5:12; 34:12). Porém, Daví não era levita e não se deve creditar costumes do judaísmo no cristianismo por fatos isolados nas Escrituras. Crenças dessa natureza e outros absurdos que presenciamos, só encontram respaldo unicamente por falta de conhecimento das sagradas escrituras (Mt 22:29). Infelizmente, uma grande parcela de crentes, inclusive pregadores da palavra ainda não tem discernimento da abissal diferença que há entre o Antigo e o Novo Testamento (Hb 8:13).
 Justamente por não atentarem para isso, é que muitas igrejas cristãs, principalmente as do segmento pentecostal ainda hoje seguem tradições, costumes e até algumas regras que foram mandamentos para um povo exclusivo, numa época de padrões e culturas diferentes das nossas, e que, por Cristo foram cumpridas e abolidas na instituição da Nova Aliança que Ele estabeleceu pelo Seu próprio sangue (Mt 26:28).



Certa vez ao ministrar em um culto de jovens, lancei a pergunta aos presentes sobre o que seriam os levitas e todos foram unânimes em afirmar que eram aqueles que cantavam na igreja. De fato, os que acham que possuem esse ministério têm o entendimento que isto seja exclusivo da área do louvor. Porém, a bíblia ensina que o ministério levita é algo muito mais abrangente.

QUEM ERAM OS LEVITAS?

Os levitas eram assim chamados por serem descendentes de Levi, o terceiro filho de Jacó com Lia (Gn 29:34). Levi viveu cento e trinta e sete anos e gerou três filhos, quais foram: Gerson, Coate e Merari (Gn 46:11), cuja geração destes foi separada para o serviço na tenda da congregação, quando do estabelecimento do tabernáculo(Nm 4:1-49).

Aos descendentes de Levi (levitas), aqueles que foram separados para assistirem no tabernáculo quanto as coisas santíssimas, foi-lhes vetada a participação nas guerras(Nm 1:45-48), bem como o possuírem herdades, quando a terra prometida fosse conquistada e repartida (Dt 18:1,2).  Deus seria a única herança destes (Verso 2b). O cuidado com o tabernáculo era algo que precisava ser efetuado com muito zelo, dedicação e temor e não poderia ser realizado por qualquer judeu.

O TABERNÁCULO

Quando saíram do Egito, a caminho da terra prometida, Deus instruiu seu povo sobre muitas coisas que deveriam observar, principalmente na maneira como deveriam lhe prestar adoração. No capítulo 20 do livro de êxodo, vemos Deus entregando a Lei para o povo de Israel, que não consistia apenas no decálogo (dez mandamentos), mas em muitas outras normas que deveriam ser observada pelo povo escolhido. No capítulo 25 deste mesmo livro, vemos as orientações do SENHOR, quanto à construção do tabernáculo, que seria o lugar de adoração e a manifestação da presença de Deus enquanto o povo peregrinasse no deserto. Para a construção deste o SENHOR orienta aos filhos de Israel trazer uma oferta alçada, isto é, voluntária, de todo o homem, cujo coração se movesse voluntariamente (verso 1). Esta oferta alçada tinha um propósito específico, pois visava exclusivamente a construção do tabernáculo e a aquisição de tudo o que viesse a fazer parte deste, como: a arca, o propiciatório, as cortinas, as tábuas, o altar dos holocaustos e etc., bem como o pagamento dos que haviam de construí-lo. O tabernáculo foi construído por homens a quem Deus capacitou com sabedoria e inteligência, tendo como mestres dessa obra Bezalel da tribo de Judá e Aoliabe da tribo de Dã (Ex 35:30-35).

 A ESCOLHA PARA O SACERDÓCIO E O CUIDADO DO TABERNÁCULO

Para ministrar sobre o tabernáculo, Deus escolhe Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar que eram da tribo de Levi (Ex 28:1) . Estes, e suas gerações exerceriam o sacerdócio no meio de Israel, pois somente eles foram consagrados (ungidos) para entrarem no santo dos santos e oferecerem sacrifícios pelo povo (Nm 3:1-3). Arão e seus filhos foram consagrados sacerdotes por Moisés, que segundo a determinação de Deus, os ungiu com azeite, santificando-os para este ministério (Lv 8:1-30). A perpetuação do sacerdócio entre os filhos de Arão se consolidou quando Finéias que era filho de Eleazar e neto de Arão reagiu com extremo zelo pela Palavra do SENHOR, ao fazer um ato de expiação, exterminando a Zimri e a Cosbi. Zimri era príncipe da tribo de Simeão que se prostituiu com Cosbi que era filha de um dos príncipes dos midianitas (Nm 8:1-15). A atitude de Finéias agradou sobremaneira o SENHOR, que em seguida fez com ele uma aliança de paz (Nm 8:12; Ml 2:4-7), prometendo que ele e sua descendência teriam a aliança do sacerdócio perpétuo, porque teve zelo por Deus e Sua Palavra. A princípio, Arão e seus filhos como sacerdotes eram auxiliados pelos primogênitos de todos os filhos de Israel, quais Deus pediu que se lhes consagrassem (Ex 13:2). Mais tarde, estes primogênitos foram substituídos pelos levitas, como veremos a seguir (Nm 3:12;41).

A ESCOLHA DA TRIBO DE LEVI COMO TRIBO SACERDOTAL

Em substituição aos primogênitos de Israel, todos os levitas então, são separados para auxiliarem Arão e seus filhos no serviço de adoração e interseção pelo povo (Nm 3:12). O próprio SENHOR orienta a Moisés a enumerar todos os filhos de Levi e também distribuir entre estes as tarefas do serviço no tabernáculo, sendo que a principio, só poderiam assumir tais tarefas, homens com a idade mínima de trinta anos e indo até aos cinqüenta (Nm 4:3). Todos os levitas contados foram vinte e dois mil(Nm 3:39). Mais tarde, quando essa tribo foi consagrada, o limite de idade diminuiu para a idade mínima de vinte e cinco anos. E, ao completarem a idade dos cinqüenta anos, eram dispensados do ministério e assumiriam tarefas mais leves, como auxiliar a guarda do tabernáculo, porém, o ministério não assumiriam nunca mais (Nm 8:24,26).

A FUNÇÃO DOS LEVITAS

Após a enumeração dos filhos de Levi, pelo mandado do SENHOR; assim foram distribuídas as tarefas e os cargos aos levitas, conforme segue:

a)      Aos filhos de Coate (Coatitas): “E a sua guarda será a arca, e a mesa, e o candelabro, e os altares, e os utensílios do santuário com que ministram, e o véu com todo o seu serviço. E o príncipe dos príncipes de Levi será Eleazar, filho de Arão, o sacerdote; terá a superintendência sobre os que têm cuidado da guarda do santuário”(Nm 3: 31-32). Ainda em Números 4:4-20, vemos detalhadamente o ofício dos coatitas.

Aos coatitas foi dado a tarefa mais importante e delicada que era levar aos ombros o santuário (Nm 7:9). Qualquer descuido da parte deles poderia lhes custar a vida. O próprio Deus orienta a Moisés quanto ao cuidado que Arão e seus filhos deveriam ter no momento de cobrir o santuário (Nm 4:18-20).  De toda a geração dos coatitas foi contado oito mil e seiscentos homens e estes deveriam armar suas tendas ao lado do tabernáculo da banda do sul (Nm 4:29).

b)     Aos filhos de Gerson (gersonitas): “Levarão, pois, as cortinas do tabernáculo, e a tenda da congregação, e a sua coberta, e a coberta de peles de texugos, que está por cima dele, e a cortina da porta da tenda da congregação, E as cortinas do pátio, e a cortina da porta do pátio, que está junto ao tabernáculo, e junto ao altar em redor, e as suas cordas, e todos os instrumentos do seu ministério, com tudo o que diz respeito a eles, para que sirvam. Todo o ministério dos filhos dos gersonitas, em todo o seu cargo, e em todo o seu trabalho, será segundo o mandado de Arão e de seus filhos; e lhes designareis as responsabilidades do seu cargo.  Este é o ministério das famílias dos filhos dos gersonitas na tenda da congregação; e a sua guarda será debaixo da mão de Itamar, filho de Arão, o sacerdote” (Nm 4:25-28).

De toda a geração dos gersonitas foi contado sete mil e quinhentos homens e estes deveriam montar suas tendas atrás do tabernáculo, ao ocidente (Nm 3:22,23).

c)      Aos filhos de Merari: “Esta, pois, será a responsabilidade do seu cargo, segundo todo o seu ministério, na tenda da congregação: As tábuas do tabernáculo, e os seus varais, e as suas colunas, e as suas bases; Como também as colunas do pátio em redor, e as suas bases, e as suas estacas, e as suas cordas, com todos os seus instrumentos, e com todo o seu ministério; e contareis os objetos que ficarão a seu cargo, nome por nome.  Este é o ministério das famílias dos filhos de Merari, segundo todo o seu ministério, na tenda da congregação, debaixo da mão de Itamar, filho de Arão, o sacerdote” (Nm 4:25-28).

De toda a geração dos filhos de Merari, foi contado seis mil e duzentos homens, devendo estes montar suas tendas ao lado do tabernáculo, na banda do norte (Nm 3: 34,35).

Quanto a Moisés e Arão, estes fixariam suas tendas à entrada do tabernáculo, ao oriente e, dessa forma, os levitas guardariam o acesso ao tabernáculo. Essa medida visava proteger, não o tabernáculo, mas o restante do povo, para que nenhum que não fosse levita pudesse se achegar a ele e assim morrer (Nm 3:38).

O SUSTENTO DOS LEVITAS E DOS SACERDOTES

Como vimos, aos levitas foi designado toda a responsabilidade que envolvia o cuidado com o tabernáculo de adoração nos seus mínimos detalhes por determinação do próprio Deus. Eles não poderiam jamais se ocupar com outras tarefas. Uma vez que deveriam fixar habitação ao redor do tabernáculo, estes não poderiam adquirir bens e muito menos propriedades. Com a conclusão do tabernáculo, as demais tribos enviaram suas ofertas as quais Deus ordenou que se lhes dessem aos levitas, o que nos leva a crer que enquanto eles não se fixassem na terra prometida, seriam sustentados dessa maneira (Nm 7:5). Após conquistarem a terra que manava leite e mel, o SENHOR determina que as demais tribos os sustentem, entregando-lhes uma vez ao ano os dízimos, a décima parte de toda a colheita e as primícias do rebanho que ali produziriam (Nm 18:21-24). Uma vez estabelecidos na terra, os dízimos deveriam ser levados ao lugar que era determinado por Deus e estes não poderiam ser em dinheiro. Se, por ocasião da entrega dos dízimos, o judeu morasse longe do local da entrega estabelecido por Deus e, dessa forma se tornasse inviável ao mesmo levar seu dízimo; que consistia em cereais e gado, então este deveria vendê-lo e com o dinheiro adquirido da venda prosseguir viagem e, ao chegar no local estabelecido, comprar com aquele dinheiro tudo o que sua alma desejasse e assim adorar ao SENHOR com seu dízimo (Deut. 14:22-29).

Convém salientar que, nesse tempo os dízimos e as ofertas não eram levados à casa do tesouro, pois não existia esta parte no tabernáculo. Somente depois que o templo foi construído e já no reinado de Ezequias, no momento de um grande avivamento que aconteceu depois de um período de grande apostasia em Israel é que a casa do tesouro foi construída, por determinação do rei Ezequias, onde seriam depositados os dízimos e as ofertas do povo (2Cro 31:1-16).

Os levitas receberiam todo o dízimo, pois somente a eles foi autorizado o judeu entregar os dízimos (Nm 18:21-24; Ne 13:5; Hb 7:5). De todo o dízimo recebido, os levitas tirariam a décima parte, que é o dízimo dos dízimos e as dariam ao sacerdote. Os dízimos dos dízimos também se chamavam ofertas alçadas, que de uma forma voluntária os levitas a entregavam ao sacerdote (Nm 18:26-28; Ne 13:15). Da parte do dízimo, esse era o quinhão do sacerdote, que também ficava com o que sobejava das ofertas de manjares e dos sacrifícios pacíficos, conforme o SENHOR determinara, quando da escolha e consagração dos sacerdotes (Lv 2:3;10; 6:14-18). Além do sustento dos levitas, o dízimo também era para ser repartido com os que não tinham possibilidades de dar o dízimo como os órfãos, viúvas e, também, àqueles que pela lei não eram obrigados a dar dízimos como os estrangeiros (Deut 26:12). Por essa razão que não entregar o dízimo que servia para o sustento dos levitas e aos que deles dependiam, equivalia roubar ao SENHOR, pois este nunca foi dinheiro e sim mantimento (Ml 3:8-10).

O MINISTÉRIO SACERDOTAL NA NOVA ALIANÇA

O ministério dos levitas que era um ministério sacerdotal não prevaleceu na Nova Aliança, pelas razões a seguir:

“E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer... Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre” (Hb 7:23;28).

Ano a ano, os levitas cumpriam o ritual de expiação, onde, pelos sacerdotes levitas, eram oferecidos animais como oblação pelo pecado do povo (Hb 10:1-3). Alí, somente o sacerdote da linhagem de Arão poderia ter acesso ao santo dos santos para interceder pelo povo (Hb 9:1-7). O ministério dos levitas que foi estabelecido na lei cumpriu a sua função até a vinda do Cristo que estabeleceu pelo Seu sangue a Nova Aliança, desta feita não somente com os judeus, mas com toda a raça humana (Gl 4:4,5). Na instituição da Nova Aliança o ministério levita cessou, pois este era uma sombra do ministério sacerdotal de Cristo que na sua morte aboliu todos os sacrifícios que estes apresentavam a Deus por expiação do pecado do povo. Jesus, o Cordeiro de Deus a si mesmo se ofereceu como oferta expiatória pelo pecado da humanidade (Ef 5:2).

CRISTO É O FIM DA LEI E O NOSSO SUMO SACERDOTE ETERNO

Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,  Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb 9:11,12).

Sendo Cristo a consumação de toda a lei, cumpriu e pagou nEle mesmo toda a dívida que essa nos exigia (Col 2:14), rasgando o véu do santuário e dando-nos o livre acesso à presença de Deus, onde hoje, todos somos feitos sacerdotes, tendo a Jesus Cristo como o sumo sacerdote perfeito (Ap 1:6; 5:10; Hb 7:26,27). Sendo o seu próprio corpo o perfeito tabernáculo (não feito por mãos humanas), não é mais necessário trazer ofertas e fazer sacrifícios pelo pecado: “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste;  Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram.  Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade.  Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei).  Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (Hb 10:5-10).

Pelo seu próprio sangue, Jesus estabeleceu um Novo Concerto que dispensa o ritual de sacrifícios e cerimoniais, visto que o seu sacrifício na Cruz, foi perfeito, eficaz e definitivo (Hb 9:25-28). Os que tentam se justificar por obras da lei, querendo aplicar à igreja ordenanças e rituais do antigo concerto que em Cristo foram cumpridos e abolidos; atraem maldições sobre sí e acabam por difundir heresias de perdição no seio da Noiva do Cordeiro (2Pe 3:1; Gl 3:10). E, por assim tentarem impor à igreja suas crenças e tradições, de certa forma invalidam todo o sacrifício que Jesus fez pela humanidade, e acabam por separar-se dEle, como também aqueles que neles acreditam (Mc 7:8,9: Gl 2:21; 5:4).

CONCLUSÃO

Assim, pelo que foi exposto neste estudo, concluímos que não existem levitas e muito menos ministério destes na igreja, uma vez que o ministério destes cessou, pois que pela morte foram impedidos de continuar (Hb 9:1). Aqueles que ainda insistem em achar que possuem o ministério de levitas, estão se pondo debaixo das obras da lei. Estes precisam conhecer a Palavra na sua essência e viver a lei que Cristo estabeleceu para nós que é a lei do amor fraternal e da liberdade (Rm 13:9; Tg 1:25). Hoje, pela fé em Cristo que nos justificou, somos ministros e sacerdotes de uma nova aliança(2Cor 3:6). Com esta responsabilidade, somos instados a intercedermos uns pelos outros, exortando-nos mutuamente para que ninguém se endureça pelo engano do pecado, pois estamos vivendo num período de grande apostasia (1Tm 4:1-3; Hb 3:13).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

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