Domingo: Instituído por Constantino?

10:27

Este texto foi extraído da bíblia de estudo DAKE, editora ATOS, pág. 1659
INTRODUÇÃO


Ultimamente tenho ouvido a expressão de que "o domingo é invenção da igreja católica", ou que "o domingo foi instituído por Constantino". Após ler algumas obras como o livro "Do Shabbat para o dia do Senhor", organizado por D.A Carson, descobri que na verdade, o domingo tornou-se um dia especial para os cristãos desde os tempos apostólicos, ou seja, antes mesmo da igreja católica existir. De fato, há uma verdade na afirmação de que a guarda do domingo foi historicamente decretada por Constantino, porém, muitas omissões acerca  dos escritos dos pais da igreja.

Por acaso, encontrei um pequeno artigo na bíblia de estudo DAKE, e gostaria de compartilhar. No final da postagem você pode acessar a um comentário do pastor Ciro Sanches sobre esta bíblia que trouxe tanta polêmica para os estudantes de teologia.



ARTIGO


Os discípulos de Moisés ensinam que Constantino, em 321 d.C., e a Igreja Católica, em 364 d.C., mudaram o sábado para o domingo. Os seguintes fatos da história provam que eles estão historicamente errados:

1- A Enciclopédia Britânica diz o seguinte nos verbetes "sábado" e "domingo": "Na igreja Cristã primitiva, os cristãos judeus continuaram a guardar o sábado, como os outros pontos da lei... Por outro lado, Paulo, nos primeiros dias do cristianismo dos gentios, afirmou claramente que o sábado judeu não era obrigatório para os cristãos. A controvérsia com os judaizantes levou, ao longo do tempo, à direta condenação daqueles que ainda guardavam o dia judeu... Em 321 d.C., Constantino passou o sábado cristão para o domingo, dia de desacanso para todo o Império Romano, entretanto, os cristãos o guardavam por quase 300 anos antes de Constantino fazer dele uma lei".

2- A New International Encyclopedia diz o seguinte acerca do "domingo": "Por algum tempo depois da fundação da igreja cristã, os convertidos do judaísmo ainda guardavam o sábado judeu em maior ou menor grau, a princípio, o que parecia, ao mesmo tempo, com a celebração do primeiro dia; mas, antes do fim do período apostólico, o domingo, conhecido como o dia do Senhor, estabeleceu-se totalmente como o dia especial a ser santificado (separado) pelo descanso do trabalho secular e pela adoração pública. A santificação do domingo parece, incontestavelmente, uma lei definida na igreja por volta do início do século IV; e o imperador Constantino confirmou o costume por meio de uma lei do estado".

3- A Enciclopédia Católica diz o seguinte acerca do "domingo": O domingo era o primeiro dia da semana segundo o método de cálculo dos judeus, mas, para os cristãos, ele começou a assumir o lugar do sábado judeu, nos tempos apostólicos, como o dia separado para a adoração pública e solene a Deus!. Este volume cita inúmero escritos cristãos primitivos do primeir, segundo e terceiro século para provar que o domingo era guardado pelos cristãos desde os tempos primitivos.

4- A International Standard Bible Encyclopedia diz o seguinte sobre "o dia do Senhor": "O dia do Senhor no NT ocorre somente em Apocalipse 1:10, mas, na literatura pós-apostólica, temos as seguintes referências: a Epístola de Inácio aos magnesianos, IX, 1: "Não mais guadando o sábado, mas vivendo de acordo com o dia do Senhor, no qual também a nossa luz se levantou...". Atos 2:46 representa a adoração especial como algo diário. Mas isto não poderia continuar mais... A escolha de um dia especial talvez tenha sido necessária, e este dia teria, sem dúvida, sido o domingo... Os gentios incircuncisos, no entanto, estavam livres de qualquer obrigação no sentido de guardar o sábado... Nenhuma observância de um dia especial de descanso aparece entra as "coisas necessárias" de Atos 15:28,29... Um determinado dia, como uma questão de obrigação divina, é declarado por Paulo como abandono de Cristo (Gálatas 4:9) e a observância do sábado é explicitamente condenada em Colossenses 2:16. Como uma questão de devoção individual, sem dúvida, o homem poderia fazer o que quisesse (Romanos 14:5,6), mas nenhuma regra geral como algo necessário para a salvação poderia ser compatível com a liberdade por meio da qual Cristo fez-nos livres (Gálatas 2:1-21; 3:1-14; 5:1-4,13)".

5- A seguir citamos, dos dez volumes intitulados Pais Ante-Nicenos, os escritos dos pais da igreja primitiva até 325 d.C., e antes de Constantino e a Igreja Católica, segundo suposições, terem mudado o sábado para o domingo:

(1) Inácio, bispo de Antioquia, que viveu no tempo dos apóstolos, 30-107 d.C.. Ele, como Policarpo, foi um discípulo de São João e um dos que deveriam conhecer a prática cristã entre os cristãos primitivos acerca do sábado. Ele escreveu: "E, após a observância do sábado (que os judeus guardavam), que todo amigo de Cristo guarde o dia do Senhor como uma festa, o dia da ressurreição, o principal de todos os dias da semana... no qual a nossa vida tornou a surgir, e a vitória sobre a morte foi obtida em Cristo... é irracional falar de Jesus Cristo com a língua e alimentar na mente um judaísmo que tem chegado ao fim... Se alguém pregar a lei judaica a vós, não o ouçais. Ora, é melhor dar ouvidos à doutrina cristã de um homem que é incircunciso a dar ouvidos ao judaísmo de alguém que é incircunciso" (Volume 1, pp. 63-82).

(2) Na epístola de Barnabé, reconhecido como companheiro de Paulo por Clemente, Orígenes e outros, lemos: "Ele lhes disse: "As vossas luas novas e os vossos sábados não posso suportar" (Isaías 1:13). Vós percebeis como Ele fala: Os vossos presentes sábados não são aceitáveis para mim... Farei um começo do oitavo dia, ou seja, um começo de outro mundo. Portanto, também guardamos o oitavo dia com alegria, o dia em que Jesus ressurgiu dos mortos" (Volume 1, p. 147).

(3) Justino, o mártir, um gentio que nasceu perto da fonte de Jacó por volta de 110 d.C., escreve: "E no dia que se chama domingo, todos que habitam nas cidades ou na terra reúnem-se em um lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos... Mas o domingos é o dia em que realizamos nossa assembléia comum, porque é o primeiro dia em que Deus, tendo feito uma mudança nas trevas e nas matéria, criou o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador, ressurgiu dos mortos no mesmo dia" (Volume 1, p. 186).
Neste diálogo com Trifo, um judeu, Justino, o mártit, diz: "Há alguma outra coisa, meus amigos, em que somos culpados, senão esta: que não vivemos de acordo com a lei, nem que somos circuncidados na carne como vossos antepassados, nem observamos os sábados como vós fazeis ?... Os cristão observariam a lei se não soubessem por que ela foi instituída... Ora, nós também observaríamos a circuncisão da carne, e os sábados, e sumariamente todas as festas, se não soubéssemos por que razão eles foram a vós impostos... Como pode ser isto, Trifo, que não observaríamos aqueles rituais que não nos afetam - falo da circuncisão carnal, dos sábados e das festas ?... Os gentios, que creram nele, e que se arrependeram de seus pecados... receberão a herança juntamente com os patriarcas... ainda que não tenham guardado o sábado, nem sido circuncidados, nem observado as festas... Cristo é em vão para aqueles que observam a lei... O sábado e os sacrifícios e as ofertas e as festas... chegaram ao fim naquele que nasceu de uma virgem... Mas se alguns, pela fraqueza de espírito, quiserem observar tais instituições como foram dadas a Moisés... juntamente com sua esperança em Cristo... eles provavelmente serão salvos" (Volume 1, pp. 199-218).

(4) Tertuliano, presbítero da igreja norte-africana, que nasceu por volta de 145 d.C., escreve: "O Espírito Santo repreende os judeus por causa de seus dias santos. "Os vossos sábados, e as luas novas, e as cerimônias que minha alma odeia... Por nós (cristãos), para quem os sábados são estranhos... aos gentios, cada dia de festa ocorre senão uma vez por ano: vós (cristãos) tendes um dia de festa todo oitavo dia... Os outros supõem que o sol é o deus dos cristãos, porque é um fato conhecido que nós oramos para o oriente, ou porque fazemos do domingo um dia de festa... vós, que nos reprovais com o sol e o domingo, deveríeis considerar a vossa proximidade a nós. Não estamos distantes do vosso sábado e de vossos dias de descanso... Conseqüentemente, à medida que a abolição da circuncisão da carne e da velha lei demonstra ter sido consumada em seus tempos específicos, assim também a observância do sábado demonstra ter sido temporária" (Volume III, pp. 70, 123, 155, 313, 314).

(5) Em The Teachings of the Twelve Apostles (Os Ensinos dos Doze Apóstolos), escritos por volta de 80 d.C., lemos: "Mas, em todo dia (domingo) do Senhor, vós vos reunis e partis o pão e dais graças" (Volume VII, p. 381).

(6) Nas Constituições dos Santos Apóstolos (século III), lemos: "Quebrais o vosso jejum... o primeiro dia da semana, que é o dia do Senhor... Após oito dias, que haja outra festa observada com honra, no próprio oitavo dia (Volume VII, p. 447).

(7) Em The Teachings of the Apostles (Os Ensinos dos Apóstolos), escritos em 105 d.C., lemos: "Os apóstolos, portanto, estabeleceram: ...no primeiro dia da semana que haja culto e leitura das Sagradas Escrituras, e a oblação (a ceia do Senhor): porque, no primeiro dia da semana, nosso Senhor ressurgiu sobre o mundo e ascendeu ao Céu" (Volume VIII p. 668).

(8) Irineu, 178 d.C., ao argumentar que os sábados judeus eram sinais e símbolos, e que não daveriam ser observados uma vez que a realidade era que eles eram sombras que haveriam de vir, diz: "O mistério da ressurreição do Senhor não pode ser celebrado em um outro dia que não seja o dia do Senhor e é somente nele que devemos observar o rompimento da Festa Pascal... o Pentecostes aconteceu no primeiro dia da semana e estava, portanto, associado ao dia do Senhor."

(9) Clemente de Alexandria, 174 d.C., diz: "O velho sétimo dia não se tronou nada mais do que um dia de trabalho".

(10) Teófilo, pastor de Antioquia, 162 d.C., diz: "Costume e razão desafiam-nos no sentido de que devemos honrar o dia do Senhor, vendo que foi neste dia que o nosso Senhor consumou sua ressurreição dos mortos".

(11) Orígenes, por volta de 200 d.C., diz: "João Batista nasceu para preparar um povo para o Senhor, um povo para Ele no final da aliança, agora velha, que é o fim do sábado... É uma das marcas de um perfeito cristão guardar o dia do Senhor".

(12) Vitoriano, 300 d.C., diz: "No dia do Senhor, nós partimos o nosso pão e damos graças, para que não pareçamos observar qualquer sábado juntamente com os judeus, o qual o próprio Cristo, o Senhor do sábado, em seu corpo aboliu" (Seção 4, On The Creation [Na Criação]).

6- Eusébio, o pai da história da igreja, que traçou uma história do tempo entre o crescimento de Cristo e Constantino, e que viveu de 265-340 d.C., diz: "Desde o começo, os cristão reuniam-se no primeiro dia da semana, que chamavam de o dia do Senhor, com o propósito de realizar uma adoração religiosa, ler as Escrituras, pregar e celebrar a ceia do Senhor... o primeiro dia da semana no qual o Senhor conquistou a vitória sobre a morte. Portanto, ele tem a preeminência, a primeira posição, e é mais honroso do que o sábado judeu".


FONTE E ANÁLISE

O que dizer sobre a a bíblia de estudo DAKE? É uma bíblia confiável? Existem vários artigos sobre esta bíblia na internet, os quais eu li antes de adquirir um exemplar da mesma. Então, eu gostaria de recomendar uma pequena análise do pastor Ciro Sanches sobre esta obra. O esclarecimento do pastor me foi muito útil, espero que seja para você também. 




Pr. Ciro Sanshes










28/09/2015
Julio C. S. Celestino 

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3 comentários

  1. Gostaria de ver na Bíblia a palavra Domingo e também queria saber se Jesus ou algum dos seus discípulos guardaram o Domingo no lugar do Sábado...poderia me mostra referencias Bíblicas

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    Respostas
    1. Olá, boa noite!

      Este artigo foi reproduzido apenas para refutar o equívoco reproduzido por alguns adventistas leigos de que a guarda do domingo iniciou-se com Constantino. Na verdade, porém, este costume iniciou-se antes do mesmo.

      Com relação a guarda de dias (seja sábado ou domingo), diante da presente dispensação, como gentio partícipe da igreja, eu não sou adepto, conforme Colossenses 2.16, Romanos 14.5 dentre outros.

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  2. Irmão, sou católico e curso o quarto semestre de teologia, quero aqui parabenizá-lo pelo excelente artigo, muito bem elaborado e fundamentado! Vejo neste artigo a seriedade do seu trabalho! Deus abençoe!!!

    Pax Domini!!!

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